Acabo de descobrir coisas incríveis sobre a entidade secreta, o Computador. E um pouco sobre a vida também.
Por exemplo, quando a gente formata o HD, não apagou tudo que está lá. Afinal alguém poderia recuperar nossos dados, usando um certo programa. Então, existe um outro programa que, sim, pode apagar tudo e não dar chances para espertinhos...
Agora, sabem como chama esse programa? Dariks Boot and Nuke!
E lá vem o detalhe sórdido sobre a vida...
"Nuke" quer dizer o quê? Vem de nuclear, que vem de "nuclear bomb". Era uma palavra nova na década de 50, usada para falar de ataques com bomba atômica, evento cuja memória mais recente, era a do lançamento da primeira, sobre Hiroshima. Os aviadores diziam Yeah, nuke'em good!, pensando é claro no que a torcida, nas noites de boxe, gritava em coro, bem na hora em que o adversário já estava quase beijando a lona: Yeah, knock'im down!. E na época da Guerra do Vietnam, a expressão já era carne de vaca. Embora oficialmente a MAD já garantisse que o tabu não poderia ser rompido (a não ser na linguagem).
Conclusão? No ano 2010, esse tal de Derrick, supondo que seja uma pessoa (mas pode não ser), inventou o tal programa. Depois disso, passou um tempo pensando em como criar um nome que transformasse o seu, de nascimento, em marca de seu produto. E foi assim que Derrick transformou-se em Darik...
Quanto tempo será que esse mesmo cara passou pensando na gravidade do que sua marca naturalizava? Terá pensado sequer no significado da palavra "Nuke"? Quer dizer, estou assumindo que ele parou pra pensar. Na verdade, o mais provavel, mesmo, é que ele tenha feito isso automaticamente. Afinal, a gente já não não graceja, reduzindo o nome das coisas a palavras incisivas e fáceis de memorizar?
Imagina lá, onde a economia solicita há mais de 100 anos que as pessoas brinquem assim?
Não que isso fosse desejável, mas vinte anos de contracultura não bastaram para que a bomba fosse esquecida. Ou melhor, a pressão contra seu uso real, feita pelo progresso do pós-guerra e incorporando a oposição da contracultura, possibilitou que ela migrasse como uma obcenidade para a linguagem. E 55 anos mais tarde, um idiota qualquer já poderia se servir dela (não a bomba, a piadinha bem de mau gosto) para dar notoriedade a seu produto.
Claro, não podemos culpá-lo. Muito provavelmente, antes que ele tivesse de exterminar concorrentes no mercado, ele foi um dos que passavam as noites tentando fechear um jogo de videogame cujo nome pegava carona na memória já não tão recente.
Esse jogo, o primeiro em que o ângulo de observação do jogador confundia-se com o do soldado assassino, chamava-se Duke Nukem.
Population, sob filtro democrático: "o povo enquanto cidadão". Na verdade, a palavra, entre outras coisas, significa ao mesmo tempo " quantidade de indivíduos de uma espécie em um dado ambiente", "conjunto dos internos em um presídio" e "habitantes de um lugar". Misturada com "disturb", chacoalhada na forma de um trocadilho verbovocovisual, dá hino punk? Selinho pra colar na mochila? Não sei. Mas também não acho que quem manda é o cliente.